Em uma produção original da Turbilhão de Ideias, a peça Simples Assim retorna aos palcos do Brasil em mais uma turnê por cinco cidades, em cinco diferentes estados do país. A montagem volta ao cenário teatral nacional em uma circulação pelo Nordeste, com datas em Aracaju, Maceió, Salvador, Teresina e Natal. A terceira cidade da turnê 2026 será Salvador, com únicas apresentações nos dias 08, 09 e 10 de Maio no Teatro Faresi (antigo ISBA). As apresentações acontecem sexta e sábado, às 20h e domingo às 19h.

Em 2025, o espetáculo passou por Manaus, São Luís, Recife, Campina Grande e Cuiabá. Antes disso, passou por São Paulo, Belo Horizonte, Palmas, Fortaleza, Porto Alegre, Brasília, Uberlândia, Goiânia, Curitiba, Belém, Vitória, Campinas e Ribeirão Preto, um total de 83 apresentações. O espetáculo é apresentado pela Bradesco Seguros desde sua estreia.

Baseado na obra de Martha Medeiros, o texto foi adaptado pela própria autora, ao lado de Rosane Lima. No elenco estão Alexandra Richter, Georgiana Góes e Pedroca Monteiro, sob a direção de Ernesto Piccolo. A idealização e concepção do projeto é do produtor Gustavo Nunes, em uma produção original da Turbilhão de Ideias, com produção local da Carambola Produções.

A peça é marcada por histórias entrelaçadas e apresenta figuras simultaneamente distópicas e reais, como um casal que apenas interage pelo celular, uma mulher que contrata uma dublê para si mesma e uma jovem que decide viajar para Marte e abandonar o amante. Em todos os casos, há espaço para uma indagação: para onde foi a simplicidade do afeto tête-à-tête? O enredo traz reflexões sobre a roda da vida e a humanidade em meio ao caos moderno e à solidão tecnológica, repleta de informações e desencontros.

A comédia reflete sobre o cotidiano com humor e afeto, como é característico na obra da escritora, uma das mais celebradas cronistas brasileiras. As duas coletâneas nas quais a peça se baseia reúnem cerca de 200 crônicas, e dessa pesquisa resultaram dez cenas que retratam as relações interpessoais no mundo contemporâneo.

Martha Medeiros afirma que a peça traz o espírito de nossa época: “A vida é difícil, mas a simplicidade salva. Corruptos existem, mas eles nada podem contra a morte. A tecnologia nos domina, mas o amor segue imperioso. Tudo se entrelaça. É um texto para rir e pensar sobre essa birutice toda”, explica. Martha ainda acrescenta que as cenas exploram detalhes dessas relações no cotidiano, procurando o que permanece de humano nos personagens em meio a tantas transformações. “Montar a peça hoje é abrir um espaço de pensamento e, ao mesmo tempo, de prazer para os espectadores, desejando que eles possam rir e refletir sobre nossa linda e atribulada humanidade”, conclui.

Rosane Lima, coautora, lembra que a estrutura do texto de Simples Assim segue um modelo inspirado em “A Ronda”, clássico do austríaco Arthur Schnitzler, com cenas aparentemente independentes, mas com um personagem sempre se repetindo no quadro seguinte. Com isso, os atores se revezam em vários personagens. “Eu também sabia que teríamos um elenco pequeno e um número razoável de personagens, situação que esse formato favorece. “A Ronda” foi escrita na virada do Século XX, um período de grandes transformações sociais, morais, etc., possibilitando uma analogia atraente com o momento atual. Na ciranda de Simples Assim não surgem apenas casais, como na peça de Schnitzler, mas também relações de irmãs, amigos, empregados, o que, além de ampliar o espectro de visão da peça, contempla a variedade e o alcance das crônicas da Martha”, define Rosane Lima.

Ernesto Piccolo considera Simples Assim a peça mais atual da escritora. “É a mais antropológica. Ela tem um lado muito humano e também traz lampejos sociais e políticos muito atuais, retrata o nosso desconforto com as coisas que estão acontecendo no mundo”.

A Martha consegue traduzir tudo de uma maneira popular, que se comunica com todos”, elogia Georgiana Góes. O espetáculo propõe focar no que realmente importa, tenta alcançar a simplicidade, que é algo tão complexo e difícil. “É preciso buscar gente que converse e se escute, que se aproxime pelo afeto, pelo carinho, pela empatia, pelo interesse pela vida do outro. É trocar, ouvir e ser ouvido”.

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